segunda-feira, 16 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Investigadores desenvolveram primeiro estudo climático aplicado ao ordenamento urbano
Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram o primeiro estudo climático da Figueira da Foz aplicado ao ordenamento urbano, no âmbito do processo de revisão, em curso, do Plano Director Municipal (PDM).
A investigação resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC e a autarquia local. Analisa factores como a topografia do terreno ou a proximidade ao mar, rio e serra da Boa Viagem, confrontando-os com dados da temperatura, humidade relativa e direcção e velocidade do vento, complementados com outros obtidos por quatro termógrafos (instrumentos que registam as variações de temperatura) instalados no concelho.
“Trata-se de traduzir e aplicar os conhecimentos obtidos sobre o topoclima da Figueira da Foz em orientações climáticas direccionadas ao planeamento e ordenamento urbano”, disse o geógrafo David Marques, autor do estudo. E adiantou que os PDM actuais apresentam uma “frágil” informação climática e que a investigação do CEGOT pretende contribuir para melhorar essa informação.
No capítulo do comportamento térmico, compara o núcleo urbano antigo da cidade com a zona exposta ao mar e rio Mondego, a praia de Quiaios - a norte da serra da Boa Viagem - e uma zona rural, na freguesia de Bom Sucesso. Conclui que, no Verão, “durante o dia e, em particular, nas tardes”, a exposição às brisas marítimas, de maior intensidade ao longo da faixa costeira e do estuário do Mondego, “é o factor determinante” nos contrastes térmicos identificados.
Aponta um espaço rural “mais quente”, em oposição a uma “ilha de frescura urbana”, com diferenças de temperatura “superiores a 11 graus” centígrados quando comparadas com os dados dos termógrafos instalados mais próximo do mar. No período nocturno, no entanto, assiste-se a uma modificação do padrão térmico, passando a uma “ilha de calor urbano”, com temperaturas superiores à do espaço rural. “Demonstra o processo de arrefecimento mais lento da atmosfera urbana inferior durante as primeiras horas da noite”, lê-se no documento.
Os ventos de norte e noroeste (nortada) influenciam as temperaturas, por exemplo entre as zonas próximas do mar e não abrigadas pela serra da Boa Viagem (como a praia de Quiaios) e o núcleo urbano da cidade.
Essas condições foram observadas pelas 15:00 de um dia de Agosto de 2011: verificavam-se 34,3 graus centígrados na cidade e 22,9 graus em Quiaios.
Já com vento leste, os contrastes entre a faixa costeira e o interior “atenuam-se significativamente”, refere.
Outros dados do estudo apontam, no Inverno, áreas de acumulação de ar frio nos fundos dos vales (nas zonas urbanas de Tavarede e Buarcos), áreas que apresentam “um risco mais elevado de acumulação de poluentes”.
O estudo é apresentado publicamente a 12 de Abril, junto com a primeira de cinco estações climáticas, que funcionará na Escola Dr. João de Barros, no âmbito do laboratório ambiental urbano da Figueira da Foz.
“A Figueira da Foz vai ser uma das primeiras cidades do país a ter cobertura total do território”, disse António Rochette, do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território, adiantando que o projecto engloba cinco estações climáticas e outras cinco para medição de níveis de poluição.
domingo, 18 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Quote VI
“I gradually became aware that my interiority was inseparable from my exteriority, that the geography of my city was the geography of my soul.”
― Aleksandar Hemon
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Paisagens Sonoras V
7. Soundscapes e Marketing Territorial
A música, enquanto produção cultural de um grupo ou indivíduo, é também um produto cultural da paisagem onde esses indivíduos actuam e nele imprimem a sua marca, seja através da cultura dominante ou das culturas alternativas, denominadas no meio musical de underground. Esse produto cultural das paisagens, as Soundscapes, torna-se ao mesmo tempo um elemento diferenciador de um determinado espaço e dos grupos sociais que o compõem, ou seja, da relação homem/meio imprimida na paisagem, valorizando e transformando-o num elemento diferenciador em relação a outros territórios. É um elemento de afirmação de uma identidade, várias vezes adoptando um cariz político e nacionalista, tornando-se até um símbolo acústico de uma identidade nacional ou étnica. O simbolismo e mediatismo de algumas Soundscapes, perpetuadas na memória colectiva pelo cinema e música tradicional, como a música Polka (na Boémia), o Tango na Argentina, ou o Samba no Brasil, viram na World Music um meio de valorizar o seu território pela riqueza cultural da sua Soundscape. Através de estratégias de marketing territorial, procuram a promoção de lugares, de modo a aumentar a sua centralidade na captação de turistas e novos residentes, promovendo a sua soundscape como produto turístico que se pretende vender, e como património cultural, que se pretende preservar.
Embora as Soundscapes não sejam exclusivas dos meios urbanos, é aí que se destacam pela sua dimensão no território em que se inserem e pelo dinamismo, inovação e competição que caracterizam os meios urbanos. A heterogeneidade e cosmopolitismo do meio urbano possibilitam a existência de diferentes matrizes culturais, logo, diferentes Soundscapes, como em Nova York. Algumas cidades são conhecidas mundialmente pelas suas Soundscapes, sendo algumas até icónicas de determinada cidade, como o Tango, em Buenos Aires, ou Liverpool dos Beatles. As Soundscapes marcam cidades e identificam-nas (Fernandes 2008). Lisboa e o Fado, Dublin e a música Folk, Seatle e o Grunge, Sevilha e o Flamengo, são marcas indissociáveis no contexto do marketing territorial.
Apesar das expressões artísticas sonoras resultarem de complexas mobilidades de populações, instrumentos musicais e estilos sonoros, que criam fenómenos de partilha, de hibridismo e diversificação, muitos géneros musicais, em especial os classificados como música tradicional, são associados a lugares específicos (Fernandes 2009). A World Music, enquanto manifestação multiterritorial, constitui-se como um produto numa lógica de concorrência global, na qual as indústrias culturais promovem as respectivas Soundscapes e lhe dão amplitude, através do seu poder de difusão e captação de mercados. A promoção de uma soundscape é realizada pela estetização da sua soundmark, utilizando para tal não só a música, como também o cinema e a arte, onde a imortalizam.
A crescente popularidade da World Music é uma das expressões da globalização sociocultural, económica e tecnológica que se estruturou nas últimas décadas (Fernandes 2009). A criação dos Grammys para a World Music e a criação, pela UNESCO, do estatuto de Património Oral e Imaterial da Humanidade, são exemplos do crescente interesse na World Music e da sua afirmação global. A passagem do analógico ao digital e a compressão espaço-tempo, resultado das inovações tecnológicas das últimas décadas, foram também determinantes na sua afirmação, na medida que tornou possível a sua difusão e captação por um número cada vez maior de indivíduos.
A sua projeção global deve-se também ao seu carácter multiterritorial. A sua territorialidade é amiúde utilizada, através da propaganda e do marketing territorial, como símbolo de um Estado, de uma Nação ou de uma região. Em Portugal temos o exemplo do Fado, o Folk na Irlanda ou o Tango na Argentina, funcionam como expressões de uma homogeneidade e união utópica de um território.
A música é também símbolo de determinados espaços topológicos, identificando-se como símbolo de agregação identitária de múltiplas diásporas, com origem comum, num centro difusor, e vértices de acolhimento, onde ocorre uma encenação desse centro. Existem diversos exemplos destas diásporas no mundo, como a da música indiana, da música folk ou dos ritmos africanos que, não raras vezes, sofrem processos de hibridismo durante a sua deslocalização.
A componente territorial da música é também “um meio de reterritorialização, de recuperação de vínculos sociais e espaciais e conquista de poder por grupos que, por não pertencerem às elites socioeconómicas e políticas, têm instrumentos menos eficazes de afirmação” (Fernandes 2009).
A crescente concorrência global na captação de investimentos e fluxos, leva a uma tentativa de adquirir maior centralidade e maior polarização, através do marketing territorial, e é neste contexto que a World Music, pela sua multiterritorialidade, pela forma como se reproduz na rede de indústrias culturais, se projecta nesta época de digitalização da informação e, apesar da sua origem híbrida e de contacto, se vincula a determinados espaços geográficos, interfere na (re)construção da imagem de lugares e, com isso, no marketing territorial dos mesmos (Fernandes 2009).
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